No mundo policial e militar americano existe uma tradição que resume carreiras inteiras em pedaços de metal: as challenge coins — moedas comemorativas de unidades, projetos e missões. Certificado é documento institucional; a coin é outra coisa: um presente pessoal, de alguém pra alguém, geralmente marcando um projeto cumprido lado a lado.
E tem o folclore: entre colegas de turma, se alguém bate a coin na mesa do bar, quem não estiver com a sua no bolso paga a conta.
Uma coleção que conta histórias
Cada moeda abre uma porta. A da unidade K9 da polícia do Amtrak — em formato de patinha de cachorro — lembra um detalhe que surpreende até brasileiro antigo de América: a companhia de trens que cruza o país inteiro é privada e tem polícia própria, com poder de prisão como qualquer outra. A da unidade de investigações da Força Aérea ("keep secrets we must", com direito a Grogu no desenho) marca um trabalho contra espionagem industrial na área de defesa. E a do projeto de segurança do B-21 — o novo bombardeiro americano, apresentado ao mundo em Palmdale, aqui na California — reúne no verso todas as agências envolvidas na operação.
Tem até a moeda recebida em mãos de um general 4 estrelas — o comandante das forças terrestres dos Estados Unidos. Pra dimensionar: acima de um 4 estrelas, só o secretário de Guerra e o presidente. A maioria dos militares passa a carreira inteira sem apertar a mão de um general de uma estrela.
A moeda que fala português
Mas a peça de maior valor afetivo é a do V Corps — o 5º Exército americano. O motivo é história pura: foi sob o 5º Exército que a Força Expedicionária Brasileira combateu na Itália na Segunda Guerra, junto à 10ª Divisão de Montanha, na campanha que incluiu a tomada do Monte Castelo. Nas fotos de época, o general Mascarenhas de Moraes aparece com o patch do 5º Exército americano no uniforme, comandando ao lado das tropas americanas.
Até hoje há cidades italianas que comemoram o dia da libertação pelos pracinhas. E há um roteiro de viagem pouco conhecido e muito recomendado: visitar os campos de batalha da FEB na Itália — os monumentos estão lá, preservados.
"Eu cresci no Brasil e só fui saber da FEB quando vim pra cá. É uma história que não é contada com a frequência que merece."
Receber de um general americano a moeda da unidade que lutou junto com os pracinhas é o tipo de coisa que fecha um ciclo: orgulho de ser brasileiro, dos dois lados da farda.
Assista a este trecho do episódio:
Challenge Coins: a história por trás das moedas de generais — a partir de 51:25 · Palavrão Tático
Quem fala aqui: Eliel Teixeira e Edwin Wu são policiais em atividade na região de Los Angeles, California — brasileiros de nascença, cidadãos americanos, com longas carreiras na polícia. No Palavrão Tático, eles falam de polícia para policiais e entusiastas, sem tradução pra linguagem civil.
Atenção: tudo que está descrito aqui vale pras regras da California — e, em vários pontos, pro departamento específico de cada um. Em outros estados americanos (Flórida, Texas, Nova York…) as regras podem ser bem diferentes.
Esta matéria é uma edição de referência do episódio 40 do Palavrão Tático e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 06/08/2026.


