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Como não cair em golpe de energia solar na California: licença, dimensionamento e contrato

O mercado solar cresceu rápido e atraiu vendedores que somem depois de receber, dimensionam errado para fechar a venda ou prometem "painel de graça". Idosos são alvo frequente, mas até construtores caem. Um roteiro para checar a empresa antes de assinar.

Episódio 14 • Parte 7 de 7
Como não cair em golpe de energia solar na California: licença, dimensionamento e contrato
Contrato de energia solar sobre a bancada — California (imagem ilustrativa)

A energia solar virou um dos serviços mais vendidos de porta em porta na California, e um dos mais reclamados. No episódio, Dina Silveira lembra que a fama de fraude no setor é assunto constante na internet, e o convidado Tharsio Theodoreli não ameniza.

"Tem muito picareta por aí, muito pilantra. Você vê gente enganando velhinho. Mas não é só gente inocente que cai, não: os builders também." — Tharsio Theodoreli, no episódio

Ele conta que já atendeu construtores que tinham contratado outra empresa e ficaram sem retorno: o instalador fez o serviço, ou parte dele, e sumiu. Esta matéria reúne os sinais de alerta e as checagens que qualquer consumidor pode fazer.

As armadilhas mais comuns

1. O dimensionamento feito para vender, não para funcionar. Tharsio descreve os dois lados do problema:

"Se ele puder vender 20, ele vende 20, sendo que você precisa de 15. Ou o contrário: você precisa de 30 e ele não tem coragem de falar, porque quer vender os 20." — Tharsio Theodoreli, no episódio

No primeiro caso, o cliente paga por um sistema maior do que precisa. No segundo, o orçamento parece mais barato do que o da concorrência, mas a conta de luz não cai como prometido, e a frustração só aparece depois de instalado.

2. A promessa de "painel de graça" ou "programa do governo". O órgão estadual de licenciamento de empreiteiros, o CSLB, alerta há anos para panfletos, malas diretas e vendedores de porta em porta que apresentam contratos de financiamento ou leasing como benefício gratuito ou programa público. Não existe painel de graça: existe alguém pagando, geralmente o morador, por muitos anos.

3. Pressão para assinar na hora. Oferta que "só vale hoje", assinatura em tablet sem cópia do contrato e pressa para aprovar o financiamento são táticas clássicas.

4. Financiamento amarrado à casa. Alguns programas de financiamento de melhorias residenciais são cobrados junto com o imposto sobre a propriedade e podem virar um ônus sobre o imóvel, o que complica refinanciamento e venda. Entenda exatamente como o sistema será pago.

O checklist antes de assinar

  • Consulte a licença no CSLB (cslb.ca.gov). Instalação solar acima de US$ 500 exige empreiteiro licenciado, em geral na classificação C-46 (solar) ou C-10 (elétrica). Confira se a licença está ativa, se há seguro-garantia (bond) e seguro de acidentes de trabalho, e se existem reclamações ou punições registradas.
  • Confirme quem vai instalar. Muitas vendas são feitas por empresas de marketing que repassam o serviço. O nome e a licença no contrato devem ser os de quem executa a obra.
  • Peça pelo menos três orçamentos, todos feitos a partir das suas contas de 12 meses. Desconfie de quem não pedir o histórico de consumo.
  • Compare o custo por watt (preço total ÷ potência do sistema), e não só a mensalidade.
  • Exija por escrito: potência, marca e modelo de painéis, inversor e bateria, produção anual estimada, prazo de instalação, quem cuida das licenças e da conexão com a distribuidora, e as garantias de equipamento e de mão de obra.
  • Leia o Guia de Proteção ao Consumidor Solar da Comissão de Serviços Públicos da California (CPUC). O documento resume os pontos principais da proposta e deve ser assinado pelo cliente no processo de conexão à rede das grandes distribuidoras.
  • Peça referências de clientes com sistemas instalados há pelo menos dois ou três anos, para saber como a empresa responde quando algo dá errado.

Assinou e se arrependeu?

Na California, contratos de serviços residenciais assinados fora do estabelecimento da empresa, como na sua casa, dão ao consumidor o direito de cancelar em três dias úteis. Para consumidores com 65 anos ou mais, o prazo é de cinco dias úteis. O aviso de cancelamento deve constar do contrato. Se houver irregularidade depois da instalação, a reclamação pode ser registrada no CSLB e, em caso de fraude, também na procuradoria do estado.

Confiança se constrói com histórico

Tharsio diz que tentou anúncios e outras formas de divulgação no começo, sem resultado, e que quase todos os seus clientes chegaram por indicação. Para ele, a qualidade é o que mantém uma empresa pequena de pé diante de concorrentes com orçamento milionário, e a forma de resolver os problemas faz parte dessa qualidade.

"Problemas acontecem, mas quando acontece um problema, você tem que ter o caráter e o profissionalismo de arrumar o que for necessário." — Tharsio Theodoreli, no episódio

A lição vale para qualquer escolha, inclusive a de quem indica: indicação ajuda, mas não substitui a checagem de licença, o contrato detalhado e a comparação de propostas.

Quem fala no episódio: Tharsio Theodoreli, brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de 20 anos e fundador da Solar Freedom USA, empresa de projeto e instalação de energia solar na região de Los Angeles, onde atua desde 2018. As avaliações atribuídas a ele refletem a experiência de quem trabalha no setor.

Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica. Em caso de suspeita de fraude, procure o CSLB, a CPUC ou um advogado.

Fontes e verificação

  • Contractors State License Board (CSLB) — classificação C-46 (Solar Contractor); exigência de licença para obras acima de US$ 500; consulta pública de licenças; alertas sobre anúncios solares enganosos.
  • California Public Utilities Commission — California Solar Consumer Protection Guide, exigido no processo de conexão de sistemas residenciais nas distribuidoras reguladas.
  • Direito de cancelamento de contratos residenciais firmados fora do estabelecimento comercial: três dias úteis, ou cinco dias úteis para consumidores com 65 anos ou mais (legislação da California e orientação do CSLB).
  • Transcrição e capítulos do episódio 14 do podcast Cadê Moradia (maio de 2026), com Dina Silveira e o convidado Tharsio Theodoreli (Solar Freedom USA).

Assista a este trecho do episódio:

CUIDADO: Como identificar e evitar empresas fraudulentas. — a partir de 27:35 · CADÊ BRAZIL

Fontes & nota editorial

Esta matéria é uma edição de referência do episódio 14 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 16/09/2026.

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