"Posso comprar uma casa se o meu crédito for ruim?" A resposta dos corretores no episódio é sim — com uma ressalva que decide tudo: o crédito não impede a compra, mas define quanto ela vai custar.
"Existem empréstimos para todo mundo. Se você não tem crédito, você vai precisar de uma entrada maior e os juros que o banco vai te dar também vão ser maiores." — um dos corretores do programa, no episódio
A escala do score
Nos Estados Unidos, o histórico de crédito vira uma pontuação, o credit score. O modelo mais usado em financiamento imobiliário é o FICO, que vai de 300 a 850. No episódio, os corretores relembram casos extremos — um score altíssimo e outro de 250 — e brincam com os números; na escala FICO, o piso é 300. Há outros modelos, como o VantageScore, mas os bancos de hipoteca trabalham principalmente com versões do FICO dos três bureaus: Equifax, Experian e TransUnion.
Como referência de mercado, acima de 740 costuma garantir as melhores condições; entre 670 e 739 é considerado bom; abaixo de 620, as opções se estreitam; e abaixo de 580, ficam restritas.
O que muda na prática
- Convencional: em geral, exige score mínimo por volta de 620, e o preço (juros e seguro hipotecário) piora a cada faixa mais baixa.
- FHA: aceita score a partir de 580 com 3,5% de entrada, e de 500 a 579 com 10% — embora muitos credores fixem mínimos próprios mais altos.
- Financiamentos alternativos (non-QM): existem para situações fora do padrão, com entrada maior e juros mais altos.
O caso extremo contado no episódio mostra o limite: a uma pessoa com crédito destruído, os bancos pediam 75% de entrada e 10% de juros. "Era melhor comprar à vista", brinca uma das corretoras. Nesse ponto, a prioridade deixa de ser comprar e passa a ser reconstruir o crédito.
Crédito ruim não é falta de dinheiro
Os corretores fazem questão de separar as coisas. Muita gente tem crédito ruim por circunstâncias da vida: uma conhecida teve o crédito arruinado pelas contas de hospital de um acidente de carro; outras pessoas emprestam o nome para alguém abrir um negócio e herdam a dívida. Isso não significa falta de renda ou de reserva.
Sobre dívidas médicas, há uma mudança útil: desde 2023, os três grandes bureaus removeram dos relatórios as cobranças médicas já pagas e as de valor inicial abaixo de US$ 500. Uma regra federal mais ampla, que retiraria todas as dívidas médicas dos relatórios, chegou a ser aprovada em janeiro de 2025, mas foi anulada pela Justiça em julho daquele ano.
Como melhorar o score
- Pague tudo em dia daqui para a frente: o histórico de pagamentos é o fator de maior peso.
- Reduza o uso dos cartões: manter o saldo bem abaixo do limite (idealmente menos de 30%, melhor ainda abaixo de 10%) ajuda rápido.
- Confira os relatórios nos três bureaus e conteste erros — é um direito garantido por lei, e os relatórios podem ser obtidos gratuitamente em AnnualCreditReport.com.
- Não abra várias contas novas de uma vez.
- Negocie cobranças antigas com orientação, sabendo que pagar nem sempre remove o registro imediatamente.
- Cuidado ao ser fiador ou emprestar o nome: a dívida passa a ser sua também.
Quem pode ajudar — e o cuidado com promessas
O primeiro passo, recomendam os corretores, é conversar com um credor (lender). Ele analisa o relatório e indica o que fazer no curto e no médio prazo — e tem interesse nisso, porque quer aprovar o financiamento. Conversar com credor e corretor não custa nada.
Existem também empresas particulares de reparo de crédito. Os corretores observam que elas cobram — o que parece contraditório para quem já está apertado —, mas que há formas de pagamento parcelado. O que o comprador precisa saber: pela Credit Repair Organizations Act, lei federal, essas empresas não podem cobrar antes de prestar o serviço, precisam dar contrato por escrito com direito de cancelamento em três dias úteis e não podem prometer remover informações verdadeiras do relatório. Tudo o que elas fazem — contestar erros, por exemplo — o consumidor também pode fazer sozinho, de graça.
Não desista
Os corretores encerram a resposta com o mesmo recado: crédito ruim hoje não quer dizer crédito ruim no ano que vem. Com um plano, é possível chegar à compra em condições muito melhores do que as de agora.
Este texto tem caráter informativo e não constitui orientação financeira. Critérios de aprovação variam por credor e programa.
Fontes e verificação
- FICO — escala de 300 a 850 e fatores do score.
- HUD Handbook 4000.1 — score mínimo de 580 para 3,5% de entrada e de 500 a 579 com 10% de entrada no FHA.
- Consumer Data Industry Association — remoção de cobranças médicas pagas e abaixo de US$ 500 pelos três bureaus (2023); decisão da Justiça Federal do Distrito Leste do Texas que anulou a regra do CFPB sobre dívidas médicas (11 de julho de 2025).
- Credit Repair Organizations Act (15 U.S. Code, seção 1679 e seguintes) — proibição de cobrança antecipada e direito de cancelamento.
- Federal Trade Commission / AnnualCreditReport.com — acesso gratuito aos relatórios de crédito.
- Transcrição e capítulos do episódio 11 do podcast Cadê Moradia (gravado em abril de 2026), com os corretores do programa.
Assista a este trecho do episódio:
É possível comprar uma casa com crédito ruim? — a partir de 13:19 · South Bay LA, CA
Esta matéria é uma edição de referência do episódio 11 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 17/09/2026.

