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Os preços dos imóveis vão cair na California? O que sustenta o mercado — e onde já houve correção

Os corretores do programa apostam em estabilidade, não em queda: pouca casa à venda, obra que leva anos para ficar pronta e compradores que voltam assim que o preço cede. O raciocínio por trás dessa leitura, o que mudou no crédito desde 2008 e por que o deserto do Airbnb conta outra história.

Episódio 11 • Parte 1 de 8
Os preços dos imóveis vão cair na California? O que sustenta o mercado — e onde já houve correção
Bairros residenciais no sul da California (imagem ilustrativa)

É a pergunta que mais aparece nos comentários do programa, e foi a primeira a ser respondida no episódio: os preços dos imóveis vão cair? A resposta dos corretores, dada em abril de 2026 e com foco na Grande Los Angeles, é que não esperam queda — mas também não esperam que a alta dos últimos anos se repita.

"Eu não acredito que os preços vão cair, pelo menos aqui na California. O que eu acredito é que os preços estão mais estáveis nesse momento." — o corretor, no episódio

Esta matéria organiza o raciocínio dos corretores e acrescenta o contexto necessário: previsão de preço é opinião, e o mercado já surpreendeu muita gente.

Estabilidade, não queda

O corretor reconhece que ouviu falar de quedas em partes da Flórida e do Texas, mas diz não ver isso na região dele. O motivo é a oferta restrita: com poucas casas entrando à venda, o preço se sustenta, mesmo com menos compradores por causa dos juros mais altos. A demanda, diz ele, continua maior que a oferta.

O que ele não espera é uma nova alta como a do período recente, que os corretores estimam em 45% a 50% em poucos anos — algo "fora da curva". Os corretores observam até que isso seria bom para o mercado: preço alto demais reduz o número de pessoas capazes de comprar.

A corretora concorda para a região dela — cidade de Los Angeles, Beach Cities e South Bay — e fala de valorização mais lenta, na média de 3,5% ao ano. Ela cita Manhattan Beach como exceção, com valorização que, segundo ela, ainda chega a dois dígitos em alguns casos. Em bairro de alto padrão e pouca oferta, poucas vendas mudam muito a média, por isso números assim oscilam bastante de um ano para outro.

Por que falta casa: o prazo da obra

Os corretores lembram que o número de moradias na California é menor do que a população precisa, e que construir não é rápido: do momento em que a construtora compra o terreno até a entrega, podem passar quatro, cinco, seis anos. Nesse intervalo, pessoas se casam, têm filhos, mudam-se para o estado. A defasagem, dizem, é constante.

A resposta do mercado tem sido construir menor: mais apartamentos e townhomes do que casas, e unidades nos quintais (ADUs), incentivadas pelo governo estadual.

2008 pode se repetir?

Muita gente associa a pergunta à crise de 2008. Os corretores argumentam que o grande problema daquela época foi o crédito — "você precisava só respirar" para conseguir financiamento — e que o setor foi reestruturado. Hoje, é preciso comprovar renda, emprego, crédito e até a origem do dinheiro da entrada. Isso torna o mercado mais resistente a uma quebra em cadeia. O que mudou nas regras desde a crise está detalhado em outra matéria deste jornal.

Juros e preço andam em sentidos opostos

Uma das corretoras acrescenta um argumento de dinâmica de mercado: quando o preço cai, geralmente é porque os juros estão altos; e quando o preço cede, mais gente passa a conseguir comprar, a competição volta e o valor se reequilibra. Por isso, na leitura deles, uma eventual correção tende a ser pequena. A mesma lógica vale ao contrário: juros mais baixos trazem de volta compradores que estavam esperando.

Onde já houve correção: o deserto do Airbnb

Perguntados se conhecem regiões com preços em queda, os corretores citam o que ouviram sobre partes do deserto, na região de Palm Springs. Nos últimos anos, muita gente comprou casa ali pensando em aluguel de temporada. Com as cidades restringindo esse tipo de locação, parte desses imóveis ficou sem o uso planejado — e nem sempre há demanda local para aluguel de longo prazo. Nesses mercados, segundo o que ouviram, houve correção de preço.

O caso mostra um ponto importante: preço de imóvel depende da economia e das regras locais. Os corretores fazem questão de lembrar que falam da Grande Los Angeles, e não da Flórida, do Texas ou de outros estados.

O que o comprador pode fazer com essa informação

  • Não compre apostando em valorização: compre porque o imóvel serve para a sua vida e cabe no orçamento, mesmo que o preço fique parado por anos.
  • Olhe os dados da sua área: estoque, tempo médio de venda e preço por pé quadrado, no tipo de imóvel que você procura.
  • Desconfie de previsões, inclusive otimistas. O mercado da California já caiu de forma forte em outros ciclos, como no início dos anos 1990 e em 2008.
  • Planeje ficar: quem precisa vender em pouco tempo fica mais exposto a oscilações.

Este texto reproduz a avaliação dos corretores na gravação (abril de 2026) e não constitui previsão de preços nem recomendação de investimento.

Fontes e verificação

  • California Department of Housing and Community Development — Statewide Housing Plan: déficit estrutural de moradias no estado.
  • Consumer Financial Protection Bureau — regra de capacidade de pagamento (Ability-to-Repay/Qualified Mortgage), adotada após a crise de 2008.
  • Percentuais de valorização citados: avaliação dos corretores no episódio (abril de 2026).
  • Transcrição e capítulos do episódio 11 do podcast Cadê Moradia (gravado em abril de 2026), com os corretores do programa.

Assista a este trecho do episódio:

Os preços das casas vão cair na California? — a partir de 1:53 · CADÊ BRAZIL

Fontes & nota editorial

Esta matéria é uma edição de referência do episódio 11 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 17/09/2026.

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