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Por que a conta de luz na California só sobe: tarifas da Edison, carro elétrico e data centers

O preço médio do quilowatt-hora da Southern California Edison mais que dobrou em menos de uma década. E a demanda por eletricidade nos Estados Unidos voltou a crescer num ritmo que não se via havia décadas, puxada por carros elétricos, eletrificação das casas e inteligência artificial.

Episódio 14 • Parte 6 de 7
Por que a conta de luz na California só sobe: tarifas da Edison, carro elétrico e data centers
Linhas de transmissão de energia no sul da California (imagem ilustrativa)

Quem mora no sul da California sente no bolso: a conta de luz está entre as mais caras dos Estados Unidos. No episódio, o convidado Tharsio Theodoreli faz uma comparação com a tarifa de quando começou a instalar painéis solares.

"Naquela época estava 17 centavos por kilowatt-hour. Hoje em dia a média é 42 a 50. Triplicou." — Tharsio Theodoreli, no episódio

Os números oficiais confirmam a tendência, com uma ressalva de método: a tarifa média e a tarifa do horário de pico são coisas diferentes.

Quanto a tarifa subiu de fato

Em meados de 2026, a tarifa residencial média da Southern California Edison (SCE) estava em torno de 34,5 centavos de dólar por kWh. Em outubro de 2025, a companhia aplicou um reajuste de cerca de 13%, que levou a média de 31,2 para 35,3 centavos. Levantamentos baseados nas tarifas publicadas indicam alta acumulada acima de 100% em oito anos. Em 2018, a média ficava na faixa de 15 a 17 centavos.

Os valores de 42 a 50 centavos citados por Tharsio aparecem nas contas de quem consome muito ou usa energia no horário de pico. Nos planos por horário de uso da SCE, o quilowatt-hora do fim da tarde pode custar bem mais do que a média. Por isso, duas famílias da mesma rua podem ter a sensação de tarifas muito diferentes.

O que empurra a conta para cima

Dina pergunta se a alta seria uma reação das companhias à perda de receita com a energia solar. Tharsio descarta essa explicação e aponta fatores gerais: inflação, guerras e petróleo. Os relatórios públicos sobre as tarifas da California acrescentam causas específicas do estado:

  • Prevenção e responsabilidade por incêndios florestais: enterramento de fios, manutenção de vegetação, equipamentos mais seguros e indenizações. É um dos maiores itens de custo das distribuidoras californianas nos últimos anos.
  • Investimento em transmissão e distribuição: a rede precisa ser ampliada e modernizada para receber mais energia renovável e mais consumo.
  • Custo de combustível e de energia no atacado, que oscila com o preço do gás natural.
  • Programas públicos embutidos na tarifa.

Uma observação sobre um ponto do episódio: Tharsio diz que os Estados Unidos queimam principalmente carvão para gerar eletricidade. Segundo a Administração de Informação de Energia (EIA), a principal fonte hoje é o gás natural, com cerca de 40% da geração do país. O carvão fica na casa dos 15% e vem perdendo espaço há anos. Na California, o carvão tem peso ainda menor.

A demanda voltou a crescer, e rápido

Por quase duas décadas, o consumo de eletricidade nos Estados Unidos ficou praticamente estável. Isso mudou. O argumento central de Tharsio é que a demanda está subindo em várias frentes ao mesmo tempo:

  • Data centers. A corrida da inteligência artificial multiplicou os pedidos de conexão de grandes consumidores. Um relatório de 2025 da consultoria Grid Strategies mostra que a previsão de crescimento do pico de demanda em cinco anos saltou de 24 GW, em 2022, para 166 GW, com cerca de 90 GW ligados a data centers. Na California, a Comissão de Energia projeta 1,8 GW a mais de carga de data centers na rede do operador estadual até 2030.
  • Carros elétricos, que somam milhares de quilowatts-hora por ano ao consumo de cada casa.
  • Eletrificação das casas: bombas de calor, fogões de indução e aquecedores elétricos substituindo o gás.
  • Robôs e novas tecnologias, que Tharsio cita como tendência dos próximos anos.

O efeito aparece nos dias de calor. Nos alertas de economia de energia do operador da rede californiana (Flex Alerts), o pedido é reduzir o uso de ar-condicionado e eletrodomésticos entre 16h e 21h, quando a produção solar cai e o consumo continua alto. Tharsio menciona os outdoors com esse pedido no Vale de San Fernando durante o verão.

Por que a geração no telhado ajuda a rede

Tharsio faz um raciocínio pouco comentado: mesmo que se construísse uma grande usina de uma hora para outra, a rede de transmissão não daria conta de distribuir toda essa energia. A geração espalhada pelos telhados, perto de onde a energia é consumida, alivia linhas e subestações.

"Quando você faz essa geração de energia nas casas, você está distribuindo a geração de energia. Isso está ajudando o grid também." — Tharsio Theodoreli, no episódio

É, segundo ele, uma das razões pelas quais a California passou a exigir painéis solares em construção nova: não por generosidade com o setor solar, mas por necessidade de uma rede que precisa crescer.

O que isso significa para quem compra ou mora

  • Coloque a conta de luz no orçamento da casa, ao lado de prestação, imposto e seguro. Peça ao vendedor o histórico de consumo.
  • Confira o plano tarifário. Um plano por horário de uso adequado ao seu padrão de consumo pode reduzir a conta.
  • Desloque o consumo pesado para fora do pico: carregar o carro de madrugada e usar lava-louças e secadora fora do fim da tarde.
  • Avalie solar e bateria com números reais, e não com a promessa de conta zero (veja as matérias deste jornal sobre dimensionamento, NEM 3.0 e retorno do investimento).

Quem fala no episódio: Tharsio Theodoreli, brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de 20 anos e fundador da Solar Freedom USA, empresa de projeto e instalação de energia solar na região de Los Angeles, onde atua desde 2018. As avaliações atribuídas a ele refletem a experiência de quem trabalha no setor.

Tarifas mudam com frequência e dependem do plano contratado; confirme os valores atuais diretamente com a sua distribuidora. Projeções de demanda são estimativas e estão sujeitas a revisão.

Fontes e verificação

  • Southern California Edison e levantamentos de tarifas publicadas — tarifa residencial média de cerca de 34,5 centavos por kWh (junho de 2026); reajuste de cerca de 13% em outubro de 2025 (de 31,2 para 35,3 centavos).
  • California Public Advocates Office (CPUC) — relatórios sobre os fatores de alta das tarifas de eletricidade na California, incluindo custos ligados a incêndios florestais.
  • Grid Strategies — National Load Growth Report 2025: previsão de crescimento do pico de demanda em cinco anos de 166 GW, cerca de 90 GW associados a data centers.
  • California Energy Commission — projeção de carga de data centers na área do CAISO (1,8 GW até 2030).
  • California ISO — Flex Alerts, normalmente entre 16h e 21h.
  • U.S. Energy Information Administration (EIA) — participação das fontes na geração elétrica dos EUA (gás natural como principal fonte).
  • Transcrição e capítulos do episódio 14 do podcast Cadê Moradia (maio de 2026), com Dina Silveira e o convidado Tharsio Theodoreli (Solar Freedom USA).

Assista a este trecho do episódio:

Por que o custo da energia triplicou e a tendência para o futuro. — a partir de 14:55 · CADÊ BRAZIL

Fontes & nota editorial

Esta matéria é uma edição de referência do episódio 14 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 16/09/2026.

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