A primeira pergunta de quem pensa em energia solar costuma ser "quantos painéis uma casa de três quartos precisa?". No episódio, Dina Silveira faz exatamente essa pergunta, e o convidado Tharsio Theodoreli desmonta a premissa.
"O tamanho da casa não importa. O que importa são os hábitos das pessoas. Tenho clientes com 20 painéis e é mais que suficiente, e clientes com 30, 35, e não é suficiente." — Tharsio Theodoreli, no episódio
Os vilões do consumo
Tharsio chama de "usual bad guys" os equipamentos que mais pesam na conta. São quatro grupos:
- Carro elétrico. É, hoje, o maior acréscimo de consumo numa casa. Um carro elétrico gasta em média algo na casa de 0,3 quilowatt-hora por milha. Quem roda 12 mil milhas por ano (cerca de 19 mil km) soma aproximadamente 3.600 kWh anuais à conta de casa, o que, com painéis residenciais modernos no sul da California, pode representar de cinco a sete painéis a mais (estimativa ilustrativa, que varia conforme o equipamento e o telhado).
- Qualquer aquecedor elétrico. Aquecedor de ambiente, piso aquecido, aquecedor de água elétrico, forno. Tudo o que transforma eletricidade em calor por resistência consome muito.
- Ar-condicionado, especialmente nas regiões mais quentes e em casas mal isoladas.
- Bomba de piscina, principalmente as antigas, de velocidade única, que chegam a consumir alguns milhares de kWh por ano. As bombas de velocidade variável reduzem esse consumo de forma expressiva, segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos.
O caso da mansão: 70 painéis e a conta não zerou
Para ilustrar, Tharsio conta o caso de um cliente em Beverly Hills, um ator cujo nome ele preserva. A casa tinha três bombas funcionando 24 horas por dia, para piscina e aquários, além de aquecedores elétricos.
"A gente colocou 70 painéis e não era suficiente. A conta dele era 3 mil dólares; agora ele paga 800 por mês." — Tharsio Theodoreli, no episódio
Uma redução de cerca de 70%, limitada pelo espaço físico disponível para instalar mais painéis. O exemplo mostra os dois lados da conta: o solar corta muito, mas não compensa sozinho um consumo fora de escala. Nesses casos, trocar ou ajustar equipamentos (bomba de velocidade variável, bomba de calor no lugar de resistência elétrica) pode render tanto quanto acrescentar painéis.
Como chegar ao número certo para a sua casa
O método que os instaladores sérios usam segue a mesma lógica, sem fórmula mágica:
- 1. Levante o consumo real. Pegue o histórico de 12 meses de consumo em kWh na conta de luz (no site da companhia, como a Southern California Edison, dá para baixar). Um mês isolado engana, porque verão e inverno são muito diferentes.
- 2. Some os planos da família. Carro elétrico que vai chegar, piscina, troca do fogão a gás por indução, ar-condicionado novo: o sistema dura mais de 25 anos e precisa acompanhar essas mudanças.
- 3. Considere o telhado. Orientação, inclinação, sombra de árvores e prédios vizinhos mudam a produção de cada painel.
- 4. Decida sobre a bateria. Com a regra atual de compensação da California, a energia excedente exportada à rede vale pouco, e a bateria passou a pesar no dimensionamento, tema de matéria própria deste jornal.
O ponto de partida é o mesmo que Tharsio defende no episódio: o cálculo nasce do consumo, não da metragem. Desconfie de orçamento que chega com número de painéis sem ter pedido suas contas de luz.
Casa nova: o mínimo do código não é a sua necessidade
Quem compra uma casa recém-construída na California já recebe painéis no telhado, por exigência do Title 24. Mas esse sistema costuma ter de 7 a 11 painéis, segundo Tharsio, e é dimensionado para um consumo padrão. Com carro elétrico na garagem ou piscina no quintal, a conta de luz pode continuar alta, e a ampliação precisa entrar no planejamento da compra.
Quem fala no episódio: Tharsio Theodoreli, brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de 20 anos e fundador da Solar Freedom USA, empresa de projeto e instalação de energia solar na região de Los Angeles, onde atua desde 2018. As avaliações atribuídas a ele refletem a experiência de quem trabalha no setor.
Os números deste texto são estimativas ilustrativas e não substituem um projeto feito a partir do seu consumo real por um instalador licenciado.
Fontes e verificação
- U.S. Department of Energy (energy.gov / fueleconomy.gov) — consumo médio de veículos elétricos em kWh por milha e eficiência de bombas de piscina de velocidade variável.
- Estimativa de produção: sistemas residenciais no sul da California geram, em ordem de grandeza, 1.500 kWh por ano por quilowatt instalado (valores variam por orientação, inclinação e sombreamento; ferramenta PVWatts do NREL).
- California Energy Commission — Title 24, Part 6: dimensionamento mínimo de sistemas solares em residências novas.
- Transcrição e capítulos do episódio 14 do podcast Cadê Moradia (maio de 2026), com Dina Silveira e o convidado Tharsio Theodoreli (Solar Freedom USA).
Assista a este trecho do episódio:
Quantos painéis uma casa realmente precisa? (Hábitos de consumo). — a partir de 5:52 · CADÊ BRAZIL
Esta matéria é uma edição de referência do episódio 14 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 16/09/2026.