"Se você pensa: 'se eu morrer, quero ser enterrado no Brasil', o ideal é ter um seguro." É com essa frase que o pastor Miguel Albanês — ele não vende seguros; fala pelo que viu acompanhando famílias — entra, no terceiro episódio do quadro "911: Emergência em Los Angeles", na pergunta que atravessa a série inteira: quem paga quando um brasileiro morre longe de casa.
Por que o traslado assusta
Nos casos narrados no quadro, o traslado de um corpo de Los Angeles para o Brasil foi orçado entre US$ 15 mil e US$ 30 mil, conforme a companhia aérea, a época e a causa da morte — doenças contagiosas exigem caixão especial lacrado, o que encarece. A alternativa mais comum, a cremação, custa uma fração disso, mas também soma milhares de dólares quando se contam as diárias da funerária e a papelada.
E o governo brasileiro, em regra, não paga. A regulamentação da Lei de Migração não prevê que a União custeie o traslado, salvo em situações excepcionais avaliadas pelo consulado de corpos de brasileiros mortos no exterior. O caso de Juliana Marins, que morreu na Indonésia em 2025, pôs o tema em discussão no Brasil — os participantes lembram que se falou em uma lei para garantir a repatriação, sem saber se foi aprovada; até o fecho desta matéria, não há lei em vigor que garanta a repatriação custeada pelo governo. Mesmo com exceções, não é algo com que uma família possa contar.
Seguro de vida: quanto custa
O pastor surpreende o apresentador Jason Lanzarini com os números: para um adulto jovem, um seguro de vida de US$ 25 mil pode sair entre US$ 25 e US$ 50 por mês, às vezes menos — são valores citados no episódio, para quem é jovem e saudável; a cotação real só sai com o corretor. O valor sobe com a idade e as condições de saúde. A recomendação dele é não ficar nos US$ 25 mil: "O ideal é pelo menos cinquenta mil dólares", porque "cada coisinha vai custando cinco mil" e a soma passa fácil do valor mais baixo.
Alguns pontos ajudam quem nunca contratou:
- O tipo mais barato é o seguro temporário (term life): cobre por um prazo — 10, 20, 30 anos — e só paga se a morte ocorrer nesse período.
- Imigrantes, inclusive sem green card, conseguem contratar em várias seguradoras; algumas aceitam passaporte estrangeiro e número de contribuinte (ITIN) no lugar do Social Security. As condições variam por empresa.
- O pastor recomenda contratar com um corretor que fale português, de empresa sólida, para entender as letras miúdas. Ele conta o caso de um amigo cujo seguro do apartamento na Flórida não cobria o dano de uma enchente — e o prejuízo, de dezenas de milhares de dólares, saiu do bolso.
Na prática, quem resolve traslado e papelada costuma ser a mulher da família — por isso ela precisa saber dos dados da apólice.
Um exemplo do primeiro episódio da série mostra a diferença: um jovem empresário brasileiro que morreu sozinho no quarto tinha seguro, e a seguradora cuidou de tudo — do transporte do corpo ao traslado para o Brasil. A família nem precisou viajar.
Seguro viagem e repatriação
Para quem vem do Brasil a passeio ou para estudar, o caminho é o seguro viagem com cobertura de repatriação funerária (traslado do corpo). O pastor conta que o cunhado bateu o carro nos Estados Unidos e não gastou nada: o seguro viagem, contratado pelo cartão de crédito no Brasil, pagou tudo. Muitos cartões de categorias mais altas oferecem seguro viagem quando a passagem é paga com eles — vale ler as condições antes de embarcar, inclusive os limites de cobertura para repatriação.
Para intercambistas com visto J-1, isso não é opcional: a regulamentação federal do programa J-1 exige, como mínimo (o patrocinador pode exigir mais), US$ 50 mil para evacuação médica e US$ 25 mil para repatriação de restos mortais, além da cobertura de saúde. Para estudantes com visto F-1, a exigência depende da escola. O pastor sugere que escolas de inglês façam convênio com seguradoras e incluam o seguro na mensalidade.
O seguro que a família não encontra
No checklist do fim do episódio, o pastor conta dois casos em que a família "achava" que a pessoa tinha seguro de vida — e não tinha, ou ninguém sabia a seguradora nem o número da apólice. Para receber, deixe nome da seguradora e número da apólice anotados com pelo menos duas pessoas de confiança, uma delas fora de casa.
Quando a família suspeita que existe uma apólice mas não sabe onde, há uma ferramenta gratuita: o Life Insurance Policy Locator, da associação nacional dos órgãos reguladores de seguros (NAIC), a que o Departamento de Seguros da California dá acesso. Um beneficiário ou representante faz o pedido com os dados de quem morreu, e as seguradoras participantes informam se havia apólice.
Fontes e verificação
- Decreto nº 9.199/2017 (regulamento da Lei de Migração) — regra geral que veda o custeio de traslado de corpos com recursos públicos.
- 22 CFR 62.14 — seguro obrigatório para participantes de intercâmbio J-1 (evacuação médica e repatriação de restos mortais).
- National Association of Insurance Commissioners (NAIC) — Life Insurance Policy Locator; California Department of Insurance — orientação ao consumidor sobre seguro de vida.
- Valores de traslado e de seguro: estimativas dos participantes no episódio; preços variam por seguradora, idade e saúde.
Assista a este trecho do episódio:
Custos de seguro de vida e a diferença para imigrantes e estudantes — a partir de 15:42 · ☆ Brasileiros em Los Angeles
Quem fala aqui: Brasileiros em Los Angeles é o podcast da Comunidade Brasileira na região de Los Angeles, apresentado por Jason Lanzarini, que desde 2014 organiza os grupos de Facebook da Comunidade na California. Este é o terceiro e último episódio da série sobre morte de brasileiros do quadro "911: Emergência em Los Angeles", com o pastor Miguel Albanês, da Primeira Igreja Batista Brasileira de Los Angeles (PIBBLA), que há anos acompanha famílias nesses casos.
Os três episódios da série estão no podcast Brasileiros em Los Angeles.
Atenção: as regras descritas valem para a California e, em vários pontos, para o condado de Los Angeles; procedimentos consulares e exigências de companhias aéreas mudam com o tempo. Este texto é informação geral, não é orientação jurídica: para um caso concreto, procure um profissional licenciado na California e confirme as regras com o consulado.
Esta matéria é uma edição de referência do episódio 3 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 07/10/2026.


