CADÊ BRAZIL

Portal da Comunidade Brasileira - desde 2014

17
Postagens
Compra & Financiamento

Sem green card ou morando no Brasil: os caminhos de financiamento para comprar casa na California com ITIN, como estrangeiro ou pela renda do aluguel

Quem vive nos Estados Unidos sem status migratório definitivo e paga impostos com ITIN tem acesso a financiamentos específicos. Quem mora no Brasil pode usar empréstimos para estrangeiros, com entrada a partir de cerca de 35% e renda brasileira. E há crédito que qualifica pelo aluguel do imóvel. O que cada um exige — e o que financiamento não resolve.

Episódio 11 • Parte 5 de 8
Sem green card ou morando no Brasil: os caminhos de financiamento para comprar casa na California com ITIN, como estrangeiro ou pela renda do aluguel
Casa na California pronta para novos moradores (imagem ilustrativa)

No fim do episódio, um dos participantes traz uma pergunta que, segundo ele, esperava receber dos ouvintes: pode comprar e financiar uma casa quem vive nos Estados Unidos como "turista permanente"? A expressão, usada com cuidado, se refere a quem está no país sem status migratório definitivo. Os corretores respondem que existem caminhos — e completam com outro público: o brasileiro que mora no Brasil e quer comprar na California.

Um aviso antes de tudo: esta matéria trata de financiamento imobiliário. Ela não é orientação migratória, e comprar um imóvel não altera, em nada, a situação migratória de ninguém.

Caminho 1: financiamento com ITIN

Os corretores explicam que quem mora nos Estados Unidos sem número de Seguro Social pode financiar se tiver um ITIN (Individual Taxpayer Identification Number), o número de contribuinte que a Receita Federal americana (IRS) emite para quem precisa declarar impostos e não tem direito ao Social Security. Na explicação deles, a pessoa deixa de ser "desconhecida" para o governo: tem documentos e paga seus impostos.

Os financiamentos com ITIN não são do tipo convencional nem do FHA; são oferecidos por bancos, cooperativas de crédito e credores especializados, com regras próprias. De forma geral, costumam exigir:

  • ITIN válido e documento de identificação, como passaporte;
  • declarações de imposto dos últimos dois anos, com renda estável;
  • comprovação de renda e emprego, extratos e reservas;
  • entrada maior, em geral de 10% a 20% ou mais, conforme o credor e o crédito;
  • juros normalmente acima dos financiamentos convencionais.

Há credores que aceitam histórico de crédito alternativo, como pagamentos de aluguel e contas em dia, para quem não tem score formado.

Caminho 2: financiamento para estrangeiro que mora fora

A segunda opção é o empréstimo para estrangeiro não residente (foreign national loan). É para quem mora e tem renda no Brasil e quer comprar na California. Os corretores descrevem as condições:

  • entrada mínima em torno de 35%;
  • comprovação de renda no Brasil suficiente para manter o imóvel e pagar as prestações, com documentação e extratos brasileiros;
  • passaporte válido.

Não é obrigatório ter renda nos Estados Unidos. Mas, como eles frisam, esse empréstimo é para quem não mora aqui: não se pode usá-lo declarando residência no país. A modalidade, com seus números, também é tratada em matéria própria deste jornal.

Precisa de visto?

Aqui os corretores não chegam a um consenso na gravação — e a razão é que depende do credor. Alguns programas para estrangeiros pedem visto válido além do passaporte; outros, não. O que todos concordam é que é recomendável ter o visto: sem ele, o comprador não consegue sequer visitar o imóvel que comprou.

Vale reforçar o ponto de fundo: ter um imóvel nos Estados Unidos não dá direito de entrar, morar ou permanecer no país. Entrada e permanência dependem exclusivamente das leis de imigração. Para dúvidas migratórias, o caminho é um advogado de imigração licenciado.

Caminho 3: qualificar pela renda do aluguel

Os corretores mencionam ainda um tipo de financiamento para quem compra para alugar: o credor verifica quanto o imóvel pode render de aluguel e usa esse valor para qualificar a compra — mesmo que o comprador ainda não receba essa renda. No mercado, esse modelo é conhecido como DSCR (debt service coverage ratio), que compara o aluguel esperado com a prestação. É voltado a investidores, costuma exigir entrada de 20% a 25% ou mais e juros mais altos, e não se destina a quem vai morar no imóvel.

A corretora lembra, ao falar de Lawndale, um primo próximo dessa lógica: na compra de um duplex para morar, o credor pode considerar o aluguel da outra unidade.

Cuidados para todos os caminhos

  • Compare credores: condições de ITIN e de estrangeiro variam muito.
  • Documente a origem do dinheiro: remessas do Brasil precisam de rastro claro para a entrada.
  • Planeje os impostos nos dois países: renda de aluguel e venda de imóvel nos Estados Unidos têm tributação e retenções específicas para estrangeiros (como a FIRPTA na venda).
  • Não declare residência que não tem, nem o contrário: informação falsa em pedido de financiamento é crime federal.
  • Separe as questões: financiamento com o credor, impostos com o contador, imigração com o advogado.

Este texto tem caráter informativo e não constitui orientação migratória, jurídica, tributária ou financeira.

Fontes e verificação

  • Internal Revenue Service — Individual Taxpayer Identification Number (ITIN): finalidade e quem pode solicitar.
  • Credores e cooperativas da California com programas de financiamento por ITIN — exigência típica de declarações de imposto de dois anos e entrada de 10% a 20% ou mais.
  • Foreign Investment in Real Property Tax Act (FIRPTA) — retenção de imposto na venda de imóvel por estrangeiro.
  • 18 U.S. Code, seção 1014 — crime de declaração falsa em pedido de crédito.
  • Transcrição e capítulos do episódio 11 do podcast Cadê Moradia (gravado em abril de 2026), com os corretores do programa.

Assista a este trecho do episódio:

Turista ou investidor estrangeiro pode financiar imóvel? — a partir de 32:28 · CADÊ BRAZIL

Fontes & nota editorial

Esta matéria é uma edição de referência do episódio 11 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 17/09/2026.

Continue lendo
Ver todas as matérias do episódio →


Carregando...