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Terremoto na California: o que o brasileiro precisa saber e o curso gratuito que ensina a agir

O terremoto de Northridge, em 1994, derrubou viadutos e prédios em Los Angeles. O pastor que chegou logo depois e o apresentador que fez o treinamento CERT contam o que viram — e o que a ciência e os órgãos de emergência recomendam hoje.

Episódio 2 • Parte 4 de 5
Terremoto na California: o que o brasileiro precisa saber e o curso gratuito que ensina a agir

No meio de uma conversa sobre morte e documentos, o segundo episódio do quadro "911: Emergência em Los Angeles" lembra de uma emergência que ninguém na California pode ignorar: o terremoto. "E se os dois morrem no acidente?", pergunta o pastor Miguel Albanês sobre casais que acham que um cuida do outro — e daí a conversa vai para o dia em que a terra tremer de verdade.

Northridge, 1994: o que o pastor encontrou

O pastor chegou a Los Angeles pouco depois do terremoto de Northridge, em 17 de janeiro de 1994, e foi morar em Newhall, perto do epicentro. Ele fala como testemunha do que viu em Northridge e de quem acompanha famílias em emergências, não como especialista em emergência. O abalo, de magnitude 6,7, aconteceu às 4h31 da madrugada, matou dezenas de pessoas e causou dezenas de bilhões de dólares em prejuízos. Um dos símbolos da tragédia foi o desabamento do viaduto que liga a Interstate 5 à rodovia 14: um policial motociclista do LAPD que seguia para o trabalho, no escuro, não viu que a pista tinha caído. O entroncamento hoje leva o nome dele — Clarence Wayne Dean.

O pastor conta que, por meses, precisou dirigir por estradas estreitas porque a freeway não tinha condições de uso, e que viu prédios que "achataram" sobre os carros. É uma lembrança exata de um problema conhecido: os prédios de apartamentos com garagem aberta no térreo, sustentados por colunas finas — o tipo de construção que desabou em Northridge e que a cidade de Los Angeles passou, desde 2015, a obrigar a reforçar: a regra vale para tipos específicos de prédio, com prazos definidos pela cidade.

O "Big One"

Os cientistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) trabalham há décadas com cenários de um grande terremoto na falha de San Andreas, no sul da California — o chamado "Big One". Não há como prever a data. O que se sabe é que um abalo desse porte deixaria regiões inteiras sem água, luz e gás por dias, com estradas interrompidas e hospitais sobrecarregados. É nesse intervalo que os moradores precisam se virar.

CERT: o curso gratuito que prepara o morador

O apresentador Jason Lanzarini conta que, em 2017, fez o treinamento do CERT (Community Emergency Response Team) com um brasileiro que era instrutor voluntário, e que tem o certificado: o curso não dá autoridade para substituir socorrista nem bombeiro. O CERT é um programa nacional, mantido localmente pelos bombeiros — em Los Angeles, pelo Corpo de Bombeiros da cidade (LAFD), e em cidades como Santa Monica, pelos departamentos locais. O curso básico é gratuito e ensina, em algumas semanas, o que fazer nas primeiras horas depois de um desastre: primeiros socorros básicos, busca e resgate leve, combate a pequenos incêndios, como desligar gás e água, como se organizar no quarteirão. A inscrição é feita pelo site do corpo de bombeiros da própria cidade.

Uma lição do curso, lembrada no episódio, resume a lógica: num desastre grave, até o policial e o bombeiro vão primeiro cuidar da própria família. Por isso cada casa precisa ser capaz de se sustentar sozinha por um tempo. Quem não tem onde estocar pode combinar o básico com vizinhos ou deixar uma mochila pequena pronta.

O que os órgãos de emergência recomendam

  • Alerta antecipado no celular: a California tem um sistema público de alerta de terremoto (ShakeAlert). O aplicativo gratuito MyShake e os alertas de emergência dos celulares podem dar alguns segundos de aviso antes do tremor chegar — tempo para se abaixar e se proteger.
  • Na hora do tremor: abaixar, cobrir a cabeça e o pescoço e segurar-se (drop, cover and hold on). Não correr para fora durante o abalo.
  • Estoque: água (a referência federal é um galão, cerca de 3,8 litros, por pessoa por dia, para no mínimo três dias; órgãos da California recomendam mais), comida que não estraga, remédios, lanterna, rádio a pilha, carregador portátil e dinheiro em espécie. Também fralda e fórmula infantil, itens de higiene e absorventes, remédios de uso contínuo e ração dos animais.
  • Plano da família: um ponto de encontro e um contato fora da região — a mesma lógica da rede de emergência discutida no episódio.
  • Socorro para qualquer pessoa: em emergência, ligar 911 e procurar abrigo: o socorro não depende de status migratório.
  • Seguro: em geral, o seguro residencial não cobre dano por terremoto — é preciso conferir a própria apólice. A cobertura é separada, oferecida por seguradoras e pela California Earthquake Authority.

Ordem pública depois do desastre

Jason e o pastor também falam dos distúrbios de 1992 em Los Angeles e do medo de saques num cenário de caos — vale ter os contatos de emergência anotados no papel e combinar com alguém da rede quem procura quem nas primeiras horas. O ponto que fica é o da preparação: quem mora sozinho e ainda não fala inglês é quem fica mais exposto quando os serviços param — por isso a rede ao redor pesa tanto. Conhecer os vizinhos e estar em uma rede — igreja, grupo, prédio — faz parte do kit.

O que se fala no episódio

O que dá para fazer hoje é o mais simples: montar o kit de emergência e baixar o MyShake no celular. O instrutor do CERT vem num próximo episódio do quadro, para relembrar o treinamento e explicar como a cidade vira um caos depois de um grande terremoto.

Fontes e verificação

  • U.S. Geological Survey (USGS) — terremoto de Northridge de 1994 (magnitude 6,7) e cenários para a falha de San Andreas.
  • California Department of Transportation / City of Los Angeles — Clarence Wayne Dean Memorial Interchange (I-5/SR-14).
  • City of Los Angeles — programa obrigatório de reforço sísmico de prédios de estrutura vulnerável (2015).
  • Los Angeles Fire Department — programa CERT; FEMA — Community Emergency Response Team.
  • Cal OES — MyShake e sistema ShakeAlert; Ready.gov — kit de emergência; California Earthquake Authority — seguro contra terremoto.

Assista a este trecho do episódio:

Preparação para desastres naturais: O risco de terremotos na Califórnia e o treinamento CERT (equipes de resposta a emergências) — a partir de 33:44 · ☆ Brasileiros em Los Angeles

Fontes & nota editorial

Quem fala aqui: Brasileiros em Los Angeles é o podcast da Comunidade Brasileira na região de Los Angeles, apresentado por Jason Lanzarini, que desde 2014 organiza os grupos de Facebook da Comunidade na California. Neste segundo episódio do quadro "911: Emergência em Los Angeles", ele conversa com o pastor Miguel Albanês, da Primeira Igreja Batista Brasileira de Los Angeles (PIBBLA), que há anos acompanha famílias de brasileiros em emergências e casos de morte.

Atenção: as regras descritas valem para a California e, em vários pontos, para o condado de Los Angeles. Em outros estados os procedimentos mudam. Este texto é informação geral, não é orientação jurídica nem médica: para um caso concreto, procure um profissional licenciado na California.

Esta matéria é uma edição de referência do episódio 2 do podcast e está sujeita a ajustes e complementos editoriais. Para a conversa completa, assista ao episódio. — Atualizada em 07/10/2026.

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