☆ Brasileiros em Los Angeles

Grande Los Angeles - Counties: LA, OC, San Bernardino, Riverside e Ventura

84
Posts
CB
Pioneiros Brasileiros em Los Angeles

Cezar Brelaz: 51 Anos de Brasileiro em Los Angeles

A história do brasileiro que saiu de Parintins, no Amazonas, ainda adolescente, em 1975 — e nunca mais voltou. Hoje, é um dos pioneiros mais antigos da comunidade brasileira em Los Angeles e fundador do Pampas Grill.

51anos nos EUA

Assista à entrevista completa — Pioneiros Brasileiros em Los Angeles

Em 2026, Cezar Brelaz completa 51 anos morando nos Estados Unidos — quase quatro décadas só em Los Angeles. Ele é, provavelmente, o brasileiro com mais tempo de residência na comunidade brasileira em Los Angeles que conhecemos até hoje, e abre a série Pioneiros Brasileiros em Los Angeles contando como saiu de Parintins, no interior do Amazonas, ainda adolescente, com uma bolsa de estudos para aprender a voar — e nunca mais voltou.

De Parintins para Memphis: a bolsa que mudou tudo

Cezar chegou aos Estados Unidos em 1975, com uma bolsa de estudos para Memphis, Tennessee. A intenção nunca foi ficar: ele queria aprender a pilotar avião e voltar para Parintins para ajudar seu tio, um pastor que fazia trabalho missionário com uma tribo indígena na região. Parintins, hoje conhecida pelo festival folclórico dos bois-bumbás, ainda não tinha essa fama na época.

Em Memphis, Cezar terminou o high school e aprendeu a voar — e ainda guarda uma curiosidade histórica da época: Elvis Presley estava vivo, e ele chegou a jogar bola com um pintor espanhol que pintava a casa do cantor, sendo levado para conhecer o lugar por fora.

Depois de dois anos, voltou para Parintins, mas ficou sem avião para voar. Trabalhou em um hotel, depois em Manaus, e tentou recomeçar no Brasil mais de uma vez — incluindo uma passagem pela Carolina do Sul, onde cursou Administração de Empresas, e seis meses em um jornal em Manaus. Foi só depois de não ver futuro profissional na região Norte que decidiu se estabelecer nos Estados Unidos de vez.

Dallas, caminhões e o Thomas Guide

A próxima parada foi Dallas, no Texas, onde Cezar tinha uma irmã. Ficou quatro anos dirigindo caminhões de mudança — sem GPS, sem internet, só com o Thomas Guide, o guia de mapas grosso que era item obrigatório pra qualquer motorista da época. Chegou a morar com doze pessoas em um apartamento de dois quartos só para gastar o mínimo possível, guardando ao menos mil dólares por mês — muito dinheiro para a época.

Foi nesse período, ainda nos anos 1970, que conseguiu o Social Security como estudante — um processo, segundo ele, muito mais simples do que é hoje, bem antes das restrições de imigração que vieram depois do 11 de setembro de 2001.

De faxineiro de estúdio a sócio do Pampas Grill

Cezar se mudou para Los Angeles, onde mora até hoje, há aproximadamente 38 anos. O primeiro emprego na cidade foi fazendo manutenção de prédio para uma empresa ligada à indústria do cinema. Foi nessa época que conheceu Geraldo, um guia de turismo poliglota que falava alemão, francês e italiano, e começou a ajudá-lo nos fins de semana. A parceria deu certo, e os dois chamaram Francisco — "Chiquinho", sócio de Cezar até hoje — para fundar a LA Tours, uma empresa de turismo multilíngue que cresceu rápido por oferecer passeios em português, espanhol, francês e italiano, um diferencial que nenhuma concorrente tinha.

A garagem onde guardavam os ônibus da LA Tours ficava exatamente onde hoje está o The Grove — antes disso, um antigo campo de petróleo. Quando o 11 de setembro de 2001 paralisou o turismo nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, a construção do The Grove começou, Cezar e Chiquinho precisaram se reinventar.

A solução veio de dentro do próprio Farmers Market: primeiro compraram o Phil's Deli, mantendo o negócio em operação. Depois, quando um restaurante japonês ali perto fechou, construíram o primeiro Pampas Grill no mesmo endereço onde funciona até hoje.

O nascimento do self-service a peso

O conceito que tornou o Pampas Grill famoso veio da própria experiência de Cezar com turismo: ônibus de turistas paravam apenas uma hora para o almoço, sem tempo para pedir e esperar comida. A solução foi um rodízio brasileiro em formato self-service, cobrado por peso — algo que, segundo ele, não existia no Brasil nesse formato e foi adaptado especialmente para o público americano.

No começo, a ideia enfrentou resistência: clientes desconfiados perguntavam se a carne era de cavalo ou de cachorro, e a cobrança por peso gerou tantas reclamações que a fiscalização de saúde foi chamada para inspecionar o restaurante várias vezes — sempre sem encontrar irregularidade. Até a churrasqueira precisou ser fabricada sob medida, com motores especiais, porque nenhum equipamento padrão suportava o tamanho que o Pampas Grill precisava.

O resultado foi um dos restaurantes brasileiros mais conhecidos de Los Angeles — Cezar lembra que Leonardo DiCaprio chegou a entrar na fila para comer lá. Hoje o Pampas Grill tem duas unidades: no Farmers Market (The Grove, esquina da Fairfax com a 3rd) e em Culver City, perto dos estúdios da Sony — esta última dobrou de tamanho durante a pandemia, quando Cezar aproveitou para expandir para o espaço de um restaurante japonês vizinho. Aproximadamente 90% do público é americano, de todas as etnias, com destaque para clientes asiáticos e latinos.

"Deus nos deu 24 horas por dia para todo mundo. O que você faz com o seu tempo é o que faz a diferença na sua vida." — Cezar Brelaz

A lição sobre imóveis

Cezar é direto quando fala sobre o que faria diferente: nada na trajetória profissional, mas se arrepende de não ter comprado imóveis mais cedo. "Tudo que eu fazia era com a intenção de voltar pro Brasil", explica — e por isso adiou decisões financeiras importantes, como comprar uma casa quando ainda era possível encontrar imóveis em Los Angeles por cem mil dólares.

Seu conselho para quem chega agora na comunidade brasileira em Los Angeles é construir patrimônio aqui, mesmo que o plano seja voltar um dia. Ele cita o exemplo de uma amiga que comprou uma casa por 350 mil dólares em 2017, vendeu por 950 mil durante a pandemia, e hoje o mesmo imóvel vale mais de 1,2 milhão de dólares.

Por que o inglês foi a virada de chave

Outro fator que Cezar credita pelo seu sucesso profissional foi o inglês. Nos primeiros anos nos Estados Unidos, morou com uma família americana e praticamente parou de falar português — o que acelerou o aprendizado e abriu portas em todos os empregos seguintes, da promoção a supervisor na empresa de caminhões até a fundação da LA Tours, com clientes de várias nacionalidades.

O pioneiro número 1

Cezar Brelaz abre oficialmente a série Pioneiros Brasileiros em Los Angeles — e, com 51 anos de Estados Unidos, é provavelmente o brasileiro com mais tempo de residência na comunidade brasileira em Los Angeles que conhecemos até hoje. Toda semana, o projeto vai trazer um novo pioneiro para contar como construiu sua vida na Califórnia.

Conhece algum brasileiro que mora em Los Angeles há mais tempo que isso? Manda uma mensagem pra gente.


Loading...